Rosany Costa

Textos

A CULPA É DELA!


Rosany Costa
(Plenytude)


Enxugo as lágrimas. Chega.
A vida não é para seres fracos, inseguros, temerosos...Não foi com pranto e comiserações que trilhei caminhos. Foi com coragem. Vinda de nem sei onde. Teimosia salvadora no escolher a vida, o ter de prosseguir...Não importando a incerteza do porvir, ela é comum a todos. Imbuída de esperança e na crença de que tempo e paciência a tudo acomodam, esclarecem ou arrefecem, prossigo alegremente. Confiante. Amanhã será outro dia.
Penso no texto da Danuza...Acho que nasci na “série forte”!
Mas porque às vezes esta sensação de fraqueza, esta vontade de gritar: “Pára o mundo que eu quero descer!”...Quando sei perfeitamente que não posso esmorecer... tenho que continuar!
Problemas... nunca vêm sós, um de cada vez. Parece teste de resistência... E têm fases que nos pegam sensíveis demais. Aí é um Deus nos acuda! Dá vontade se ser fraca.
(Que tentação...)
Chorar, reclamar, pedir ajuda, esperar que alguém, não se sabe quem; vindo de não se sabe onde; nos socorra. Autocomiseração...
Mas qual o que? Logo vem a reação. Fraqueza é pra quem pode ser, não pra quem quer ser...
Tampouco é artigo disponível em alguma prateleira, para a hora que bem se entender, adquirir... É ser.
O fraco orgulha-se de convencer, o forte de aprender a vencer. E não raro, a si mesmo...
Mas que dá uma vontade danada de só por hoje ser fraca, alienada, mimada, ter a crise de “o mundo está contra mim”... Ah! isto dá...
Fazer promessas, votos, rezar o rosário e carregar nos mistérios dolosos...
(Só nos reconhecem nos gloriosos.)
Poder descansar um pouco, ganhar um tempo, talvez alguma atenção, algum carinho...Um ombro solidário, um ouvido amigo. Restaurar forças.
Ah! Um colo...
Mas como?! Fazer tudo que abominamos? Recorrer aos apelos emocionais?!
Além do que, somos fortes, especiais, extraordinárias! Logo superaremos. É isso que escutaremos.
Como se fossemos portadoras de varinhas mágicas...
E só queremos ser admitidas comuns! Escrevendo a história nossas vidas com dignidade e autenticidade. Mas também sensíveis... Sujeitas a incertezas, a conflitos existenciais como qualquer mortal.
Uma mulher forte, se em crise, num primeiro momento apavora... Em meio à revolução o humor evapora. Dilacerada, titubeia ante a impotência...
Crises são tão solitárias para a “série forte”!
Melhor é aquietar. Esperar.
Tudo passa, tudo passará...
Até uva-passa.
Bom mesmo é maracujá.
(E eu não estou pra passarinho!)
E tem a tal TPM que superdimensiona tudo...
E se não for ela, ainda assim: a culpa é dela!

©2004
BN 379.009

Rosany Costa
Enviado por Rosany Costa em 06/03/2007
Alterado em 04/06/2011

Música: Beija Flor - Cesar C. Mariano

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